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Apagando

 

Ela lavou sua alma, deixou escorrer ralo abaixo seus pecados. Sorriu com olhos, a seriedade de seus lábios, abrindo e fechando-se. É melhor calar certas coisas e seguir em frente. Eram tantas as dores na alma, que quando uma surgia, as outras se abriam, criando assim um turbilhão de pensamentos, noias, e assim apagando. Lentamente caia no sono profundo. Ela olhava pra você e via um reflexo do que era. Isso dava vontade de reagir e seguir em frente. Mas, sempre havia um mas. Sempre iria existir um mas. O mas é a barreira transparente que criara pra auto defesa pessoal. Uma barreira inconsciente. Quando achava que finalmente estava progredindo, seu eu automaticamente regressava. E isso a fazia se sentir inútil as vezes. Deixando um vazio inexistente, um vazio que vem e vai, e ela ficava estatelada, achando que só ela tinha esse problema de travar diante de coisas, que antes eram tão simples. Parava, respirava e apagava. Ia em direção a seu coma profundo. Seu dormir branco, sem sonhos e sem pesadelos.

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Me calam

Me calam as ideias,

Me calam as emoções,

Me calam os dedos,

Me calam o coração.

 

Só não calam meu olhar de decepção,

Meus lábios de repreensão,

Minha mão tampa a boca pra não ser mal compreendida.

 

Me calam as feridas,

Me calam as palavras,

Me calam,

Me calam de desgosto esses cada um por si.

Me calam,

Me calam não calarem meus pensamentos em vão.

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Eu gostei …

Eu gostei,

Eu gostei do seus olhos negros,

Um profundo buraco negro,

Orbitas saltantes, em desesperos profundos,

Eu gostei,

Eu gostei do teu desmazelo,

Da tua bagunça externa,

Das tuas emoções a flor da pele,

Eu gostei,

Eu gostei do teu sorriso malicioso,

Do teu sorriso maroto,

Eu gostei,

Eu gostei do teu cabelo grande e bagunçado,

Do teu cabelo molhado,

Eu gostei,

Eu gostei das tuas idéias loucas,

Das suas paranoias bobas,

Eu gostei,

Eu gostei da sua mente perturbada,

Da bagunça que tava nela,

Do caos que nos fez existir,

Eu gostei,

Eu gostei do teu coração,

Do teu compasso junto ao meu,

Do teu enorme desejo de viver,

Eu gostei,
Eu apenas gostei,

Gostei,

E assim deixei, no mais vastos devaneios,

Meus verdadeiros sentimentos por ti.

 

 

 

 

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Limpeza emocional

 

Desencalhei as botas,

Tirei a poeira e lama,

Limpei a vidraça estilhaçado do meu coração,

Sorri ao relento,

Almejei novos desejos aos céus,

Limpei a casa,

Me livrei das tralhas,

Joguei fora magoas passadas.

Repeli a tristeza,

Me esquivei da frieza,

Deletei quem merecia ser deletado,

Perdoei quem não merecia ser perdoado,

Lavei as mãos,

Lavei minha sina,

Lavei a casa,

Troquei as cortinas,

Abri as janelas,

Acendi um cigarro,

E traguei pro vento,

Meus meros devaneios,

Pisoteei meu passado,

Abri espaço pro presente,

Tentando agarrar o futuro,

Carregando as bagagens selecionadas.

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Vá em Paz

 

 

Ela acordou como se na noite passada, tivesse levado uma surra. Estava dolorida. Mas não eram dores físicas, mas sim, dores da alma. A morte havia mais uma vez lhe visitado. Desta vez para anunciar a morte de mais um ente querido. Ao qual mal mantinha contato. Mas a dor ainda precisa ser sentida. O luto precisa ser passageiro, mas nem por isso, precisa ser esquecido. “Estou bem ele disse. Não estou sofrendo mais. Então alegrem-se!” Os olhos dela se encharcaram ao ver a Tia definhar, e a avó passando mal. Que mulher forte, lá se vai mais um filho. Já dizia a música: “A vida é mesmo coisa muito frágil.” Um sopro de Deus, e ar em nossos pulmões podem parar. Pois não cai uma folha de uma árvore se Deus não permitir. Que seja feita a vontade dele. Se ele o chamou, é porque ele sabe o que faz. Vá em paz Tio.

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Permita-se

 

Permita-se, esvair-se tudo quanto é dor,

E que o mar de flores vire espinhos,

Espete-se, sinta a dor,

Sinta a alma chorar,

Permita-se sentir isso.

 

O vazio é angustiante,

Então permita-se sentir,

Dores, sabores, amores.

Permita-se existir,

Permita-se viver,

Porque de que adianta existir sem viver?

Ou viver sem existir?

 

Permita-se sentir,

Chorar, cantar,  gritar.

Permita-se externar,

Apenas permita-se.