O silêncio de Diana – Capítulo 14

Capítulo 14

Carregava ódio dentro de mim, eu devia ter contado a ela. Mas e se, ela não entendesse? Agora estava aqui como louco, procurando-a entre essa mata escura. Me pergunto se ela me perdoaria, por esconder tudo o que escondi. Queria proteger-la como não consegui, proteger minha mãe. Fechei meus olhos e as lembranças tomaram conta de mim.



“Ela caminhava sozinha na rua, sentindo o frio cortante da noite. Naquele dia ela tinha sido avisada, seria um menino, o bebê em seu ventre. Chorava de felicidade, caminhado sozinha, o pai, nem se deu ao luxo de saber, a chamou de puta e a expulsou, disse que o filho não era seu, já que ela havia tido outros homens na cama. Sim, uma prostituta. Era assim que a apelidavam. Suas botas enterradas na neve, davam o contraste simbólico, do preto no branco. A maquiagem pesada, escondia suas noites de insônia. Sua roupa, com rendas, abaixo do sobretudo vermelho. Era natal. Não tinha ninguém, só aquela criança. Queria dar o melhor para ela, e iria fazer de tudo pra isso. Mas seus planos foram atrapalhados.

Uma criatura noturna, atrapalhou seus planos. Enquanto parou para olhar suas botas, notou uma gota de líquido vermelho pingando de cima. abaixou-se e verificou com a mão, notou que era sangue. e olhou para cima. Em um andaime acima, havia um homem caído, sangrando, e outro, ao qual não identificou o rosto, devido a hora, estava muito escuro, ela tentou sair de mansinho, mas seu predador já estava ali, observando-a, e a cada movimento que ela fazia ele acompanhava. Seus olhos reluzentes como um demônio, amarelos ou vermelhos, não dava pra identificar, estava muito longe, e um poste encadeava sua visão. Tentou gritar, mas o medo calou sua voz. Ele pulou em frente a ela, ela caiu no susto. Ele olhou em seus olhos, e percebeu o volume de sua barriga, deu um passo a frente, em direção a ela, mas ela só lhe implorava.

-Por favor, não machuque meu bebê!

O demônio a fitou, seus olhos louco pelo sangue fresco de uma criança, ele hesitou. Mas se virou para a parede, encostou a cabeça, e tentou dominar sua besta em interior. Ela estava tremendo, de medo ou de frio, ninguém sabia ao certo. Ele a olhou novamente. Estava cansado daquela vida, mas a reconheceu, era a garçonete linda que todos chamavam de prostituta. A mesma que dias atrás lhe serviu uma bebida e cigarros. Ele fitou novamente olhando em seus olhos, profundamente. E caminhou em sua direção. A pegou-a no colo. E finalmente lhe disse:

-Não pode ficar nesse estado, nesse frio. Está perdida?

-Na verdade estava indo pra casa! – disse-lhe tremendo. -Por favor, me ponha no chão, não contarei a ninguém o que vi.

-E o que você viu? – Perguntou-lhe aproximando seu rosto ao dela.

-Nada, não vi nada.

Ele a sentiu úmida, e a sentiu um cheiro forte de sangue. Notou que ela estava perdendo líquido. O susto a causará um aborto espontâneo. Correu em direção ao hospital. Ela ficou meio sonolenta e fraca, juntou as últimas forças que lhe restavam, e pediu:

– Por favor, não deixe que nada aconteça ao meu bebê.

Ele a beijou a testa, e fez um sinal de sim com a cabeça. Entrou no hospital, e depois de uma hora, ouviu o que já imaginava e temia ouvir.

-Sinto muito, sua esposa está em trabalho de parto, mas ela não vai resistir, suas defesas estão baixa, e devido a isso temo que o menino também não sobreviva.

-Eu não sou o… marido dela! Posso vê-la uma última vez?

-Devido as circunstâncias não é permitido, mas deixarei entrar na sala de pós-parto, estamos fazendo o possível para que seu bebê venha ao mundo. Como ela não tem forças pra empurra-lo, iremos fazer uma cesariana.

-Já falei que…ahh esquece, o importante é que pelo menos um dos dois sobreviva.


Aquele pensamento sumiu com um piscar de olhos. Se viu na mata, sozinho, já passava das 4 da manhã. Ele não a encontraria. Estava conformado. A perderá para sempre. Seu celular vibrará. Era o pai dela. Pensou em como estava frito e perdido. Rejeitou três ligações. Pensou em voltar ao apartamento, mas lembrou-se que os vizinho haviam figurada a cena da fulga de Diana. Era arriscado. Estava cansado e arranhado, devido aos galhos na hora da correria. Tirou um cigarro do bolso, e tremendo muito, o acendeu. Sentou ali mesmo, e tragou. 

Novo Mundo – Capítulo 03

Capítulo 3
O garoto olhou de lado para Meghan. Sorriu. Depois correu os olhos na janela ao lado. Como se desse a entender que conseguia ver a loba. Fez uma cara de assustado. E parou os olhos nela. O professor interrompeu, continuando o assunto. E o debate seguiu. Meghan sentou na sua cadeira, ao lado da janela, e tentou prestar atenção a aula. A loba permaneceu imóvel, assistindo a aula do lado de fora da janela. E logo tocou-se o sinal. Dois horários, haviam se passado. Meghan não percebeu que havia chegado bastante atrasada. Depois que todos saíram, ela olhou para o lado, a loba fez o mesmo em direção a ela. Ela saiu de fininho, olhando pra trás. Estava muito assustada, e consequentemente esbarrou no menino. O menino olhou pra ela e para a janela.
-Ela continua lá? Não é?
Meghan franziu a testa. Como ele podia vê-la? Mas alguém podia vê-la?
-Do que está falando?
-Da entidade, na janela.
-Entidade? Que entidade?
-Eu sei que você viu ou sentiu também. Não precisa mentir.
-Não sei do que está falando.
Antes que ela pudesse continuar a seguir, ele segurou seu braço.
-Meu Deus! Você está em choque, por isso nega a situação. Não se preocupe, sei como te acalmar. Primeiramente, vamos pra lanchonete lá embaixo.
Ele segurou sua mão e lhe guiou pelos corredores da universidade, ao qual ela já conhecia faz tempo. Sua mãe dava aulas ali, e ela nunca esqueceu, pois a acompanhará dos seus 9 anos até os 13 anos, quando não tinha ninguém pra ficar com ela em casa, já que seu pai arqueólogo, vive viajando, e nas horas vagas arruma bicos como professor de história dessa mesma universidade. Depois de relembrar tudo isso. ela se deu conta que ainda estava sendo guiada, por esse menino estranho, falando coisas estranhas.
-Poderia me soltar?
-Ahh, desculpe.
Ele solta sua mão, e ela se sente mais leve. Ele muito pelo contrario, se sente mais pesado. Que sensação de peso é essa? Que energia ruim.  Ele a observava, com medo, e um calafrio na espinha. Os dois foram ininterrompidos pela atendente.
-Bom dia! O que vão querer?
Ele automaticamente responde, olhando fixo para ela.
-Um cappucino duplo, porque o dia vai ser longo. E dois brownies do grande. Precisamos de bastante açúcar, E…O que vai querer … ?
-Meghan. Meu nome é Meghan! Um frappuccino médio.
-Ok! Anote também o frappuccino dela. Hoje será por minha conta.

O silêncio de Diana – Capítulo 13

Capítulo 13
Correndo desesperadamente, Diana seguia, com seu coração em prantos, seus sentidos estavam aguçados, ela podia ouvir os passos de Ramon ao longe, atrás dela. Até que se deparou com uma mata fechada e entrou. Se escondeu no primeiro arbusto que viu, só depois constatou que não estava sozinha. Seu coração gelou, um arrepio começou desde suas patas até seu dorso de lobo. Atrás dela estava um anjo, com uma aura brilhante, um prateado que ao longe cegava, apertou os olhos para enxergar através da luz, constatou que era Azriel. Seus profundos olhos verdes, penetravam sua alma. Mas uma vez suas palavras a perturbaram e ao mesmo tempo, ela se acalmava cada vez mais.
– Acalma-te criança! – Disse Azriel acariciando seu dorso de lobo ao qual Diana se transformará.
Seu coração assustado aos poucos, foi se acalmando, e mais uma vez, se viu nua, e pior diante de um estranho. Sua vergonha era notória tentou cobrir o corpo timidamente. Ele a pegou em seus braços, como um pai pegando uma criança, abriu suas asas. Diana se sentiu fraca, queria se soltar do estranho mas não conseguia se mexer, quando viu o brilho das asas se abrindo, fechou os olhos. E o anjo, abaixou-se um pouco para pegar impulso e decolou.  Diana se viu a 500 metros de altura do chão e assustou-se.
– Para onde está me levando? – Perguntou Diana, assustada e nervosa com toda a situação.
– Pequena, alegre-se. Estou aqui para manter as coisas sobre controle. Sou seu anjo da guarda, o anjo da sua profecia.
– Para onde está me levando? – Perguntou novamente.
– Para o aeroporto! Estou te levando para encontrar seu pai.
– Não posso encontra-lo assim… – Antes que terminasse sua frase, se deu conta que estava vestida novamente. Com um vestido branco, longo. Onde seus cabelos negros se destacavam mais ainda.
– Diana Mortis, pode ser que não entenda agora, mas siga com o plano que Ramon montou com seu pai. Se você continuar aqui vai acabar se ferindo.
Olhando para o chão se viu em cima da cidade onde morava atualmente.  Ao fechar seus olhos, para sentir a brisa no rosto, e reorganizar seus sentimentos, sentiu uma sucção, um redemoinho a sugava, quando abriu novamente seus olhos. Se viu em um canto totalmente diferente, onde só se via uma vasta floresta. Diana não entendia o que se passava, mas não questionou o que Azriel disse, afinal ele era seu anjo da guarda. Ela já não questionava nada, pois tudo o que conhecia até seu aniversário, não passava de uma falsa imagem para esconder seres que ela só via na televisão, e lia em livros. Num piscar de olhos, Azriel voou rasgando o céu em direção ao chão. Pousando assim em um aeroporto.
– Eu não posso confiar em Ramon. – Finalmente disse.
– Diana, alegra-te. Ramon te safou de uma enrascada. – Azriel falou, puxando Diana pela mão, que inconscientemente andava.
– O que estamos fazendo em um Aeroporto?
– Seu pai vai embarcar em um voo para o sul, impeça-o… – Azriel disse apontando para um homem, bronzeado de cabelos grisalhos.
Diana não aguentou-se, e sem perceber, não segurou seus sentimentos, que transbordaram em lágrimas. Soltou a mão quente de Azriel e correu ao encontro do seu pai. Abraçando-o por trás, como uma menina perdida encontrando seu pai.
– Pai?! – Disse em meios a risos e lágrimas.
– Diana?!
Thomas emocionado se virou e a abraçou bem forte, acariciou seus lindos cabelos negros, sentiu seu cheiro, e se afastou um pouco para olhar bem para ela. Viu a cópia adolescente da mulher, ex-mulher.
– Como chegou aqui? – Perguntou, confuso.
– Meu anjo me trouxe! – Respondeu sem hesitação.
– Anjo? – Ele parecia confuso. – Cadê Ramon?
Azriel agora tomava forma humana. Suas asas se dissipavam em meio as suas costas, como um leque que se fechava. Saindo de trás de um carrinho de bagagens. Thomas ao vê-lo gelou. Um arrepio lhe subiu a espinha. Ele era ciente que aquele anjo era o mesmo que anunciou o acontecimento de uma guerra, o mesmo que pronunciou as palavras da profecia.

Novo Mundo – Capítulo 02


Capítulo 2
Ela adentrou no carro, ainda chocada com o sonho. Relembrando cada detalhe. Respirou fundo. Depois engatou a macha ré e saiu da garagem, foi em direção a faculdade de jornalismo. Hoje seria seu primeiro dia. Ela odiava aquilo tudo, odiava primeiros dias de aula, odiava ter que socializar. Mas seu caderno do “God of war” ia ajuda-la ter um dia tranquilo. Passou seus ensino médio todinho enfurnada em livros e cadernos, pois havia passado por vários traumas, só em conviver com pessoas. Sofria bullying calada, e se expressava por meio de poesias. Isso a mantinha com a cabeça legal e esquecia das pessoas ao redor.
Num piscar de olhos, voltou a sua realidade. Estava na pista, e pegou uma avenida, como de costume. Do nada as casas começaram a sumir, e de repente se viu em uma estrada reta, de terra, no meio do nada. Freou bruscamente. Olhou para trás.
-Mas que merda é essas?
Voltou sua visão para frete, o rádio do carro se ligou, e a mesma melodia fúnebre que tocava em seu sonho, passou a tocar. Tentou desligar o rádio, mas não funcionava o botão de “off”. Um arrepio se intensificou, e ela estava prestes a gritar quando o medo tomou conta de suas ações, seu grito foi calado por um silêncio assustador. O lobo dos seus sonhos estava em frente a seu carro, sua pelagem continuava vermelho sangue, com o focinho branco. O lobo, se aproximou do carro, ficando lado a lado, próximo ao retrovisor esquerdo. O olhar se voltou para ela. Que assustada, ligou o motor do carro, e acelerou.
-Tenha cuidado! – Uma voz de mulher saia do lobo em um gutural suave, e ao mesmo tempo assustador
Ela dirigiu reto, tentando sair dali, daquele deserto, sem saber o que encontraria, num piscar de olhos, a paisagem voltou ao normal. Respirou fundo, e dirigiu até a faculdade. Estacionou, e foi em direção a sua sala “jornalismo 1ma”…Sala 1MA. Correndo pelos corredores por estar atrasada, adentrou a sala certa.
-Bom dia, licença! – Disse em tom envergonhado
-Bom dia, senhorita….? – Perguntou o professor.
-Meghan, senhor. Mas pode me chamar de que Megh.
-Escolha um lugar senhorita Meghan, estamos estudando sobre Filosofia.
Ela sentou na primeira cadeira que viu, e abriu seu caderno do “Kratos”, onde na capa tinha seu horário: “Idéias Filosóficas Comteporâneas”. Uma matéria que ela gostava muito.
-Alguém pode me conceituar o que Filosofia Contemporânea?
Ninguém levantou a mão, todo mundo olhava para lado, e depois para o professor.
-Vamos lá pessoal, sei que é o primeiro dia, e muitos estão acanhados. Se ninguém se pronunciar serei obrigado a escolher um.
Toda turma permaneceu em silêncio. Então o professor continuou sua aula.
-Darei um desconto a vocês. A filosofia contemporânea pode ser vista como resultado da crise do pensamento moderno no século XIX. O questionamento ao projeto moderno se faz nos termos de um ataque à centralidade atribuída à noção de subjetividade nas tentativas de fundamentação do conhecimento empreendidas pelas teorias racionalistas e empiristas. – Ele fez uma pausa. – Alguém quer acrescentar algo ou quer perguntar algo?
Olhando para a janela, Megh se deparou com a loba de novo. E gritou, levantando-se da cadeira em que estava. Todos a olharam como se fosse uma louca.
-Senhorita Meghan, achei brilhante o grito que deu para acordar seus colegas, e vejo que se levantou para acrescentar algo ou perguntar. Então diga-nos.
Meghan ficou corada, olhava para o professor e para a loba a sua janela esquerda. Respirou fundo e falou.
-A linguagem surge então como alternativa de explicação de nossa relação com a realidade enquanto relação de significação. A questão sobre a natureza da linguagem, sobre como a linguagem fala do real, torna-se um problema central na filosofia e em outras áreas do saber na passagem do século XIX para o século XX.
-Por que torna-se um problema? – Disse o professor entusiasmado.
-Porque é difícil distinguir o que é real de uma mente fantasiosa. – Respondeu um aluno lá do fundo.

Novo Mundo – Capítulo 01



Capítulo 1
Ela estava pálida como a neve, tão branca que o cabelo vermelho e os olhos verdes se destacavam em sua face. O vento soprava de um silêncio intenso, e uma tempestade chegava, com a lua cheia a amostra. Se desequilibrou por um momento, achando o parapeito da janela. O que ela fazia ali? Se perguntava. A altura lhe dava frio na barriga, mas a lua lhe puxava, para mais perto.No momento viu seus pés flutuarem, o parapeito da janela, ao qual estava, agora se distanciava, e a lua a sugava mais e mais. Como se não bastasse todo esse cenário sinistro, uma melodia fúnebre tocava ao fundo. Tentava parar, mas não conseguia. E a lua lhe puxava, cada vez mais. Até que se viu tocando-a. Um arrepio subiu pelo seu corpo, fazendo fraquejar diante da lua. Um lobo surgiu, com a face estampada nela. Gritou de susto, mas o lobo nada fez, apenas lhe olhou profundamente com olhos verdes esmerada faiscando, e um focinho branco como neve. Seu pelo era de um vermelho intenso, puxado para sangue. Ela parou de encarrar o tal lobo, mas este continuo a olhar. Agora ela sentia suas mãos molhadas, o sangue que não sabia de quem era, escorria pelas suas mãos e o lobo fez uma expressão de tristeza, num gutural soltou:
-Você tem que fazer a sua escolha. Antes do vigésimo aniversário.
-Que escolha? – A menina perguntava desesperada
O vento frio só ecoava, “escolha-lha-lha” …  Aquilo a encheu de pânico, e  sua visão começou a se distanciar do tal lobo, que mais parecia uma fêmea, ela se viu caindo, pouco a pouco,  a cada segundo que caía o eco de silêncio se fazia. Tentou se agarrar em algo, mas ao ver que estava chegando ao chão fechou seus olhos e gritou. Quando seu corpo caiu, ela se levantou assustada. Foi só mais um pesadelo, pensou consigo mesma. Seu pai que estava fazendo o café da manhã, correu em direção a seu quarto. Ao abrir a porta correu para abraça-la.
-Megh você está bem? – Disse se afastando um pouco para observa-la.
-Sim, foi só um pesadelo! – Afirmou ainda com medo e querendo acreditar em si mesmo, o pesadelo parecia tão real a ponto de suas mãos estarem vermelhas. O seu pai se assustou.
-Ou meu Deus Megh, você se machucou. – Correu em direção a caixa de primeiros socorros no final do corredor, e veio com uma gaze a encontro da filha. Tirou o excesso de sangue e fez um curativo. -Vá tomar banho meu anjo, hoje é seu primeiro dia na faculdade e espero que seja ótimo para você! -Beijou-a na testa e sai porta a fora do quarto.
Sua cabeça tava confusa, se levantou da cama e foi em direção ao espelho, viu um par de olhos verdes, um cabelo ruivo natural e sua pele amarelada. Tentou achar semelhanças com o “ela” do sonho, e viu que não tinha nada de igual. Olhou pra seus despertador, e seguiu para o banheiro. Azulejos azuis royais com branco enfeitavam metade do banheiro a outra metade era de um rosa bebê. Ideia do pai dela.

O silêncio de Diana – Capítulo 12

Capítulo 12

-Thomas não pode negar o que você é. Ser descendente de lobisomens não deveria ser uma vergonha pra você.
-Pai o que me envergonha é o fato, de você querer matar meus filhos, seus netos.
-Não chame aquelas aberrações de meus netos, não entendo como pode trair sua família, e ir atrás daquela…
-Pai, Dirtys não é como os outros, ela é diferente, ela sempre lutou pela união de nossas raças…
-Ela o iludiu, não sei como, você não foi mordido. E muito menos como tudo isso tomou as proporções atuais, se você não tivesse interferido, os gêmeos seriam mortos e tudo isso estava resolvido.
-Como o senhor fala com tanta frieza? Já passou pela sua cabeça que um dos gêmeos é um lobisomem?
-De que isso me adiantaria?  É fruto de uma vampira, deve ter ódio no sangue, agora por culpa sua há um vampiro, assassino a solta. Um delinqüente juvenil ao qual você chama de filho.
-Pai, não admito que o senhor fale assim do meu filho, SEU NETO!
-Já falei pra não dizer que aquelas aberrações são meus netos.
Thomas parou olhou para seus pés enterrados no barro, suas lágrimas ameaçavam cair, mas se segurou. Ergueu a cabeça e desafiou seu pai visualmente.
-Então pai, se eu fosse umas daquelas aberrações que o senhor diz ser, me mataria então?
Seu pai olhou com tristeza para seu filho, e sua resposta foi tomada por um vazio. Ele abaixou a cabeça.
-Filho sabe muito bem, que seria impossível eu fazer isso com você, não misture as coisas!
-Então se coloque no meu lugar meu pai. Sua neta é Lobisomem. E eu queria sua ajuda, para ensinar a ela tudo que ela é, o que pode ou não fazer.
-Não me peça para ensinar a monstros o que já sabem por natureza.
-De-lhe uma chance meu pai. Você ainda não a conhece. E se ela for como Ramon diz é uma ótima pessoa.
-Você ainda ousa a se misturar aos frios, meu filho, só ainda não o matei, por que existe um instinto chamado, pai, que não me deixa fazer meu serviço.
-Então isso é um sim?
-Não, isso é um talvez. Traga-me a garota, e eu a avaliarei e digo o que posso fazer.
-Só trago se o senhor prometer não tocar um dedo nela.
-Não tocarei, e outra ninguém saberá que ela é a garota da profecia, vou anunciar a matilha que teremos uma nova integrante ao grupo.
-Obrigada meu pai.
-Mas isso é só uma breve trégua. Não se encha de esperanças.
-Isso já é o bastante pai: uma chance.
Thomas seguiu em direção a porta da casa, antes virou pro seu pai e falou:
-Estou partindo pro sul, vou pegar Diana. Trago-a na sexta feira antes do sol se pôr.
-Lembre-se do que lhe falei.
-E eu espero que cumpra o que me disse pai.
Thomas saiu porta a fora. Deixando a casa de madeira, construída no meio da floresta amazônica. Thomas calculava mentalmente o que ia levar para sua filha. Afinal queria agradá-la com um presente, só que dessa vez pessoalmente, acompanhado de um abraço. Também pensará numa carta na manga, caso seu pai o traísse. Tinha que combinar com Ramon. Pensando nele, seu celular tocou. Lógico que ali na floresta o sinal era horrível, e seria inútil atender. Então caminhou até um cidade próxima e retornou a ligação de Ramon.
-Temos problemas. –  Ramon falou num tom preocupado.
-O que houve? – Thomas pareceu perturbado.
-Você urgente tirar sua filha daqui, estão caçando-a. Surgiu três figuras estranhas: um é um vampiro, e os outros dois não sei o que são, mas pela áurea uma é um demônio e e o outro um anjo. Não trabalham juntos pelo que vi. Mas sugiro que antecipe sua viagem.
-Entendo sua preocupação Ramon. Mas tenho que lhe pedir uma coisa…- Houve um minuto de silêncio, de ambos o lado daquela ligação. Thomas continuou. -Preciso que venha com a gente.
– Isso seria suicídio senhor. A um alcatéia enorme com seu pai, e seu Pai nunca gostou de gente da minha 
espécie.
-Entenda, meu pai decidiu treina – lá, mas não confio nele, quero apenas que cumpra seu papel de guarda costas, mas em total sigilo. Eu arrumarei um canto pra você. Eu não sei como isso funciona, mas sei que pode adquiri forma animalesca, isso ajudaria muito, você poria acompanhá-la nos treinos, de longe lógico.
-E quanto aos três que estão nessa cidade? Eu não posso deixar a cidade com aquele vampiro assassino.
-Sua prioridade agora é Diana, e é com ela que deve se preocupar. Deixarei dois amigos meus cuidando daí. Sam e Pam.
-Ainda acho tudo isso arriscado, mas gosto de correr riscos. Quando o senhor vai vim?
-Eu iria só amanhã pela manhã, mas devido as circunstâncias, vou ver um vôo pra agora mesmo, preparem 
as malas.
-Ok, ela ainda não acordou. Assim que acordar, vou falar com que não precisa ir pra aula.
-Certo, Ramon, eu espero que der tudo certo. Sim…me fale do que ela gosta, quero levar algo para ela.
-Senhor com todo respeito sua filha parece mais com a mãe do que com senhor, se isso o ajuda.
-Beleza, vou procurar algo adequado para ela.
-Vou desligar, preparar o café da manhã pra ela.
-Ok, até daqui a pouco.
Quando Ramon desligou o celular, seus dedos foram mais ágeis, ele ligou para Dirtys.
-Seu pedido foi concluído senhora Mortis, a Diana não será mais um problema pra senhora.
-Então a matou? Fez da maneira correta?
-Fiz, e para sua segurança a pus em um caixão de prata, e a enterrei.
-Onde a enterrou?
-Senhora Mortis, eu já lhe falei que faço o serviço, agora sem perguntas. Lembra-se esse foi nosso trato.
-Ok, espero que esteja falando a verdade. Já que é assim, não precisarei mais dos seus serviços, está livre 
Ramon, depositarei seu dinheiro.
Ao desligar seu celular. Um silêncio tomou seu quarto, e o que não foi esperado aconteceu. Estava ali, Diana de pé, a escutar sua conversa.
-Diana eu não sabia que estava ai. – Disse Ramon indo em direção a ela.
-Não se aproxime de mim. – Seus olhos estavam perplexos pelo que acabará de ouvir. Diana se afastava a cada passo de Ramon. – Como você pode? Como pode me enganar? Por que não falou que minha mãe me queria morta? Por que esse teatro? Afinal de que lado você estar? – Seus olhos agora estavam encharcados de lágrimas, e elas escorriam por seu rosto. Sua raiva e dor só aumentava. E novamente se transformou. Num lobo gigante, quebrando tudo que tinha pela frente, na raiva ela pulou a janela, e se espatifou no chão a baixo, levantou e pra seu espanto, os moradores viram, saiu em direção a mata fechada.
-Droga. – Ramon se queixava.- Pulando a janela quebrada, e indo atrás de Diana. 

O silêncio de Diana – Capítulo 11

Capítulo 11

Onde eu moro só chove, isso é que dar morar no sul do Brasil. O tempo nunca muda, sempre com chuva e um frio enorme. O que mais me perturbava naquela tarde era o fato de Megan, está saindo com Joel. Senti-me uma falsa sem poder contas tudo que me ocorrerá e sem poder avisava do assassino ao qual ela anda saindo. Será que Joel realmente amava Megan? Haveria uma remota possibilidade de que Joel podia ser diferente com relação a Megan? Quanta mais eu pensava no assunto, mais eu me enrolava nos problemas. Meu transe foi interrompido pela batida de porta de Ramon, com nosso almoço do Pittsburg. Mesmo eu estando sem fome, ele comprou meu sanduíche preferido. Havia algo em Ramon que me perturbava, meu sexto sentido me avisava perigo, mas meu coração mesmo assim, ainda batia por ele.
-Ei o que houve? Você está tão calada.
-Só acho que não estou ainda pronta pra digerir tudo que estou vivendo nesse exato momento.
-Sua mãe me ligou.
-E ai?
-Ela disse que como já ocorreu a primeira transformação, seu pai vai vim busca-lá. Você vai precisar se distanciar um pouco de tudo isso.
-Não, não pode fazer isso, Megan precisa de mim.
-Anjo, eu sei. Mas é pro seu próprio bem, e pra sua segurança e da sua amiga. Já imaginou você se descontrolar, o que você fazer, você vai pra uma aldeia na Amazônia, seu pai vem busca-lá.
-E Megan? Se Joel tentar matar Megan?
-Eu vou ficar aqui anjo, vou ficar de vigia em Joel. Ainda tenho que pesquisar sobre o novato.
Encolhi-me no banco, com os olhos molhados, prontos a produzirem lágrimas, minha mãe estava mesmo se livrando de mim. Minha ficha caiu, ela achou que eu fosse vampira, se decepcionou e agora esta me devolvendo com alguém devolve um produto com defeito. E Ramon não iria comigo. Eu iria pra Amazônia, sozinha com meu pai, para uma aldeia de índios, lobos na verdade, aprender coisas das quais eu só li em livros. Ramon ia ficar pra cuidar de Megan, mas não era isso que eu sentia, na verdade acho que Ramon queria se livrar de mim, assim como minha mãe.
-Ei não chore, sempre vou estar do seu lado, é só por um tempo. Seria suicídio se eu fosse com você anjo. Entenda-me.
-Eu sei. E também quero que você fique pra cuidar de Megan.
Baixei minha cabeça, encarando minha comida. Tentando controlar uma angustia que sentia. Mas minhas forças foram por água abaixo quando avistei Joel em frente ao nosso carro com Megan a segurar sua mão. Tipo uma menina indefesa segurando a mão do lobo mal, mas o único lobo que tinha ali era eu. Comecei a ficar furiosa, e minha angustia subia cada vez mais. Ramon pisou no acelerador com gosto, e arrancou a uma parte isolada da cidade.
-Ramon… eu não consigo aguentar mais…
Minha voz falhou, eu me joguei porta a fora na estrada, meus olhos passaram de um negro para um amarelo dourado, e minhas roupas rasgaram, comecei a esticar, a dor que senti a primeira vez que me transformei, agora não fazia o mínimo efeito. Minha face cresceu um focinho de lobo, e uma pelagem branca acinzentado surgiu. Eu me pus de quatro. Percebi que estava na forma Lupus, assim com o livro de meu pai me ensinará. Olhei para trás vi Ramon parado ainda sentado no volante, e nosso carro sem a porta. Eu recuei um pouco, e Ramon se aproximou.

-Calma anjo. Tenha calma.

Eu cheguei a seus pés e me sentei, encarei-o de forma diferente… De olhos de um Lupus, recém transformados. Ele me acariciou como alguém acaricia um cachorro.  Os olhos de um lúpus não eram tão diferentes de olhos humanos. Mas eu conseguia enxergar a distancia e isso me assustava. Agora eu estava deitada com as patas nos olhos tremendo. Ramon se abaixou e me colocou em seus braços,  me levou para o carro, colocou-me no banco traseiro, e seguiu, com carro até o apartamento. Ao chegar ao apartamento.

-Fique encolhida. Eles não vão gostar de ver um lobo em um apartamento.
Pensei em responder, mas meu estado não me permitiu. Acenei com as orelhas.

-Bom tarde senhor Ramon. O que houve com o carro?

-Sabe como é, dei uma carona a uma amiga, e na hora dela abrir a porta, o carro de um idiota avançou… Vou levá-lo numa oficina ainda hoje.

-A porta ta aberta, e senhorita Diana?

-Ela já deve ter chegado, pegou um ônibus.

O carro de Ramon entrou na garagem do prédio e foi em direção ao elevador de serviço. Estacionou, me tirou do carro, me enrolando em um edredom enorme, e seguiu comigo até o apartamento. Abril a porta de do apartamento e me soltou. Ainda estavam uma bagunça os meus sentimentos. Assim que meus pés, ou melhor, minhas patas tocaram o carpete do apartamento, comecei a me acalmar. Meu problema agora era como voltar a minha forma, já que eu estava consciente. Não demorou muito e eu passei a assumir minha forma humana, estava esgotada e com frio, além de tudo pelada. Ramon se preocupava tanto comigo que já havia deixado um edredom para me cobrir.

-Você ainda ta ai na sala Anjo? Ele me pegou pelos braços e me pôs em minha cama. Durma um pouco. Você precisa descansar, mas assim que acordar vai comer algo.

Pela primeira vez Ramon havia ignorado o fato de eu estar pelada, ele sempre se virava para falar comigo, agora ele olhava profundamente em meus olhos. Um lobo cinza de olhos amarelos pensou. É muito bonito. Minha mente foi ficando vaga, e minha visão escurecendo, até que adormeci.
Os dias estão ficando mais problemáticos, ela a cada dia que passa, fica mais forte, agora que dorme tranquilamente, seria uma ótima oportunidade para terminar minha missão. Mas não consigo fazê-la. Sentado em meu quarto fumando meu cigarro, penso de um jeito de sair dessa enrascada. Celular vibrando. Quem mais poderia ser uma hora dessas?

-Oi?

-Ramon, sabe o que deve ser feito, não quero que nossa família sofra. Achou alguma oportunidade de matá-la?

Na verdade sim, tive várias oportunidades de matá-la, mas não a fiz, querendo ou não, eu me apaixonei pela menina. E ainda não entendia o porquê que a mãe me mandava matá-la. Tive que menti.

-Não, ainda não deu sinal de nada.

-Mas eu sei que ela vai virar logo, logo. O que há com você? Sabe pra que foi contratado. 
Apenas faça o serviço, e acabe com uma guerra antes de ela ser iniciada.

-Como pode sacrificar sua filha?

-Ela não é minha filha, ela é filha da lua, uma loba. Eu já perdi minhas esperanças de unir nossos mundos. Agora o que importa é achar meu filho. E você foi contratado pra matar o lobo da profecia, não quero uma guerra, não quero envolver, anjos e demônios nisso, e você sabe o que isso significa, sabe que as forças divinas podem simplesmente acabar com a gente num estalar de dedos.

-Deus pode fazer isso, anjos não. E se lhe serve de conselho, os anjos e demônios já estão mais que envolvidos. Você facilitaria e muito me falando o nome do seu filho, assim ajudaria.

-Não quero você envolvido nisso, apenas cuide da menina, e a mate se necessário quem da às ordens sou eu.

O celular ficou mudo. E meus sentimentos também, ela sabia que havia algo errado, em me recusar a sacrificar Diana. Eu tinha que tirar ela o mais rápido possível da vista da mãe. Ser agente duplo, nisso que dar. Os dois me pagam, mas ambos não sabem. O cigarro acabou percebi quanto sacudi a caixa. Fiquei pensando se contasse a Diana. Ela surtaria, ficaria contra mim ou apenas aceitaria, já que elas não se dão bem? Mas meu receio maior era o que ela ia pensar de mim. Será mesmo que Vampiros e Lobisomens nunca irão se entender? Estava começando a perder as esperanças, assim como perdi minha mãe para meu pai. Estava acabado. Mas precisava agir.

Fui à geladeira e abri uma garrafa de sangue, e bebi. Ultimamente com Joel por perto, não queria passar pelo mesmo vexame, de não conseguir defender quem amo. Diana estava mais forte, não dava pra negar, mas ainda sim, era uma faca de dois gumes, já que ela não conseguia controlar tudo que lhe foi dado. Ela teria que passar três messes na Amazônia, antes que fizesse estragos. Combinei com pai dela de pega-la na sexta, hoje era quarta. E minha preocupação aumentava ainda mais, pelo fato da ligação. Caminhei até a porta de seu quarto, que estava aberta, e admirei-a dormindo. Ainda estava nua, apenas coberta pelo edredom. Uma coisa me tranquilizava, os pesadelos haviam parado. Sentei no chão encostado a porta aberta, e tomei o sangue na boca da garrafa. Ingeri um litro de sangue com álcool. O que me deixou meio tonto. Em seguida apaguei onde estava mesmo.