Meu anti-socialismo incomoda muita gente …

 

Ela se arrastava pouco a pouco, beijava o chão, o chão que pisava com frequência, seus tombos e barrancos, era resultados de ações impulsivas, não pensadas. Ela se martirizava, revendo diálogos, cenas, frases soltas, fotos, lembranças. Ela tentou beijar outras bocas para esquecer ele, isso não funcionou, só a deixava mais agoniada, e vazia. Ela se trancava no banheiro após por o filho pra dormir, sentava no sanitário e ali vegetava pensando na vida, quando voltava a si,  já havia passado uma hora. Ela abria a porta, verificava a respiração do filho, e voltava a se trancar no banheiro, retirava a roupa, largava no chão, seu cabelo caia, as pessoas julgavam ser as tinturas sem amônia a qual ela usava, frenquentemente a cada 15 dias, porém era estresse, ansiedade e preocupação excessiva. Ficou ali olhando pra si pelada diate do espelho, perguntando-se: “Cadê o seu eu passado?” … Por mais experiente, que ela seja hoje, ela sente falta da inocência, de confiar cegamente nas pessoas, sem malícia, sem preocupação com besteiras, por menores que sejam, onde hoje, já cria histórias, e embute na cabeça coisas que ela nunca vai saber ao certo. Pra ela um sim é sim, um não é não, e um talvez, é vou pensar. Pra ela ou é 8 ou 80. Ela não sabe ficar em cima do muro, ou no meio do caminho. Pra ela sexo era uma coisa importante, e só era feita com amor, porque por mais atualizada que ela seja, o seu conservadorismos ainda reina dentro de si. Ela não é de iniciativa, ela é na dela, tímida, mas entre quatro paredes se solta. Ela é menina no jeito de vestir, mas na hora de agir é uma mulher. Odeia mentiras, embora viva da hipocrisia de dizer que ta tudo bem, só pra não preocupar as pessoas a sua volta. Ela odiava indecisões, por isso era chamada de cabeça dura, menina de personalidade forte, porque ela não é de falar, ela é de fazer. Ela chora com livros, comerciais e filmes melosos. Mas por fora, é durona, seu olhar intimidava as pessoas. No olhar ela enxerga a alma das pessoas. O lápis e o batom preto, são escudos, os livros e músicas são seus melhores amigos, o filho sua melhor companhia. Seu celular é um caderno de anotações, seu blog é seu diário de pensamentos. Ela se jogou no banheiro e tomou banho, lavou sua alma, enquanto as lágrimas escorriam ralo abaixo. Colocou sua blusa favorita, uma calcinha box e foi em direção a sala, catou no armário sua caneca favorita da Death de Sandman, preparou seu chá e contemplou o céu, e a quietude da noite, o celular vibrando com mensagens de amigos, e clientes da loja. Pensou nele, no seu abraço e no poço fundo, ao qual seus olhos encarava os delas. Ela pensou muito nele, chorou porque sabia, que por mais que sentisse isso por ele, eles nunca seriam a mesma coisa, a magia acabará, na terceira noite, de uma cama desarrumada. Ela pisava em ovos quando estava com ele, ela não se sentia a vontade. Divergências de pensamentos, e cuidado excessivos com cada palavra que digiria a ele. Ele não estava em uma boa fase, muito menos ela, e assim seguiam. Ela voltou a se pegar aos livros, a escrever, e jogar pra matar o tempo. Ela percebeu que ela tava ficando refém desse sentimento. Decidiu-se se afastar um pouco, do pouco que lhe resta de vida social, evitar pessoas novamente, evitando assim, decepções.

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Eles

 

Ele a devorava com o olhar louco da lucidez tênue,

Ela o olhava cautelosa e ao mesmo tempo distraída,

Ele era calculista em cada toque que se intensificava,

Ela o queria, mas a cada toque sentia o medo lhe pegar pelos pés.

Ele não parava,

Ela não o parava,

Ele a queria agora,

Ela o queria pra sempre,

Ele enrolava seus problemas e tragava,

Ela afogava seus problemas e bebia,

Ele sabia que seria apenas um noite,

Ela tinha esperanças que aquela noite se multiplica-se,

Ele conversava a meio a beijos,

Ela apenas o ouvia, falava uma coisa outra,

Ele intrigava-se com o silêncio dela,

Ela intrigava-se com o jeito observador dele,

Ele virou-se e partiu,

Ela permaneceu imóvel,

Ele disse coisas ruins a ela,

Ela devolveu na mesma moeda,

Ele seguiu seu caminho,

Ela pegou suas derrotas regias e as abraçou,

Ele retornou a vida dela,

Ela o queria de volta,

Ele se desculpou,

Ela o perdoou,

Ele vez ou outra dar as caras,

Ela vez ou outra some,

Ele segue em frente,

Ela tenta seguir em frente,

Pra ele foi apenas menos de um mês,

Pra ela são 12 anos.

 

 

Sad

 

Prenda minhas feridas,

alcance minhas preces.

A melodia toca solenemente.

Os pássaros cantam a sua partida.

E em tristeza e agonia se fazem a minha dor.

A perca do colorido em meus dias,

os pretos e brancos em sitônia.

O céu grita na calada da noite.

Os mais tristes sussurros do meu coração.

O doce suspiro do amor não correspondido,

Entrando como facas em todo meu ser.

Nos fones de ouvido,

Batidas, guturais e guitarras arranhando meu silêncio,

No mais profundo amago,

De onde a agonia

Sucumbia a dor,

Ansiedade e expectativas,

De uma vida vazia e tranquila.

Tantas e tantos

É tanta superficialidade,

é tanta falta de amor,

é tanta tristeza em corações pequenos.

É tanta desgraça alheia, é tanta dor.

É tanto sorrisos dados,

é tanto olhares cruzados,

é tanto beijos trocados,

é tanto amor que trago.

De tantas e tantos se fez o estrago,

De tantas e tantos se  fez o destino,

Seguindo sempre olhando pra trás,

Topando em pedra no caminho,

Mas erguendo a cabeça e assim

Seguindo, sempre sorrindo,

Sempre fingindo,

Fingindo que está tudo bem,

Porque um dia há de ficar.

Vá em Paz

 

 

Ela acordou como se na noite passada, tivesse levado uma surra. Estava dolorida. Mas não eram dores físicas, mas sim, dores da alma. A morte havia mais uma vez lhe visitado. Desta vez para anunciar a morte de mais um ente querido. Ao qual mal mantinha contato. Mas a dor ainda precisa ser sentida. O luto precisa ser passageiro, mas nem por isso, precisa ser esquecido. “Estou bem ele disse. Não estou sofrendo mais. Então alegrem-se!” Os olhos dela se encharcaram ao ver a Tia definhar, e a avó passando mal. Que mulher forte, lá se vai mais um filho. Já dizia a música: “A vida é mesmo coisa muito frágil.” Um sopro de Deus, e ar em nossos pulmões podem parar. Pois não cai uma folha de uma árvore se Deus não permitir. Que seja feita a vontade dele. Se ele o chamou, é porque ele sabe o que faz. Vá em paz Tio.

Permita-se

 

Permita-se, esvair-se tudo quanto é dor,

E que o mar de flores vire espinhos,

Espete-se, sinta a dor,

Sinta a alma chorar,

Permita-se sentir isso.

 

O vazio é angustiante,

Então permita-se sentir,

Dores, sabores, amores.

Permita-se existir,

Permita-se viver,

Porque de que adianta existir sem viver?

Ou viver sem existir?

 

Permita-se sentir,

Chorar, cantar,  gritar.

Permita-se externar,

Apenas permita-se.

Eles

Era tamanha a dor, que apenas anestesiou. Parou de doer. Ela estava vazia novamente. Até que ele cruzou o caminho dela. Ela queria algo a que se agarrar, por mais temporário que fosse. Ele não queria se agarrar a nada. Ele não estava em sã consciência. Mas ele não sabia que ela também estava assim. Eles conversavam, discutiam, mas sempre dava no mesmo. Era tamanha a loucura, que quando terminava, cada um seguia sua vida, e ambos estavam assim. Ele com medo dela se iludir e se apegar. Ela com medo de ser deixada pra trás novamente. Ela não ligava pra o que eles tinham, ou que faziam, ela só queria a companhia de alguém. Era um ligação, onde ambos não esperavam nada um do outro, unidos pela dor, e por desejos carnais. Ela seguia com os pensamentos confusos. Ela tentava sentir algo, mas só afeto existia ali. Um instinto de proteger e cuidar. Sem obrigações ou amarras. Ela apenas aceitou as escolhas dela, e deixou fluir e ver no que dar.  Ele era importante pra ela, mas não era alguém que ela amava profundamente. E acho que é isso que tornar as coisas bem mais fácies pro dois. E no calor do momento dois corpos aqueciam-se um ao outro, esperando assim sentir um êxtase de prazer, onde ambos poderiam por um momento esquecer o que os afligiam.